MEDO E FOBIA

Quem tem medo? Ou melhor, quem não tem medo? Todos temos medo. E com muito orgulho, deveria dizer-se. Mas não é isso que acontece: normalmente as pessoas têm vergonha de ter medo.
O medo que sentimos quando andamos de avião ou quando estamos no meio de tumulto, o medo de falar em público ou ao avistar inseto desconhecido (ou perigoso), é muito normal e, até mesmo, saudável. Ele foi importante no processo de evolução do ser humano e nos ajudou (e ajuda) a evitar desastres, a ter cuidado e a sobreviver. Tem a valiosa função de ajudar a nos proteger ou de escapar de situações perigosas.

Acontece que devido à nossa história de vida (ou experiência passada), passamos a ter medo de coisas pouco perigosas ou até mesmo fobia de coisas inofensivas.
Fobia é medo exagerado, incontrolável, perante determinada situação, objeto ou animal. O indivíduo pode apresentar fortes reações emocionais (tremor, sudorese, frio no estômago etc.), e com isso esforça-se, para fugir da presença do estímulo que provoca o medo. Com o tempo, a pessoa fóbica pode passar a evitar várias outras situações ou objetos que se relacionem ao medo, e perde oportunidade.

O medo de dirigir pode ser parte de um medo maior, não compreendido, como, por exemplo, o medo de perder o controle de si mesmo ou sobre as coisas e pessoas que fazem parte do contexto de vida.
A análise feita por profissionais pode indicar a gravidade, a extensão e a necessidade de tratamento. Um aspecto importante sobre a decisão de fazer ou não o tratamento é verificar a frequência do comportamento de fuga ou esquiva e as perdas que ele acarreta. A reação do medo pode aumentar em função da esquiva e se generalizar para outras situações ou estímulos novos. Assim a melhor maneira de perder o medo é vivenciar as sensações corporais e se expor, gradual e regularmente, às situações temidas. Não "corra" do medo. Vivencie-o e espere que ele diminua sem desespero. Não evite a situação que o gerou, enfrente-a. Liberte-se.
A psicoterapia e os programas de orientação psicológica e treinamento ajudam a promover melhor conhecimento e análise do medo. Mais do que isso, ajudam a planejar situações de enfrentamento com apoio do terapeuta.


DESCRIÇÃO DO MEDO DE ALGUMAS CLIENTES ANTES DE INICIAR O TREINAMENTO

"Quando olho para o carro, não tenho coragem de entrar e ligá-lo… pois me sinto presa, como se fosse acontecer algo, e eu não consiga sair… tenho medo que o carro bata no de trás, pois fico o tempo todo olhando no retrovisor, também tenho medo de virar a esquina e topar com outro veículo, e também passar entre outro carro, pois não tenho noção da distância… e por último tenho medo de acelerar em vez de frear."

"Quando penso em dirigir já aparece um desconforto físico, começa uma dor de estômago, as pernas tremem, os braços amolecem, eu tenho necessidade de dirigir, pois moro longe do trabalho, do supermercado, da padaria. Necessito de uma pessoa todo tempo disponível para me levar nos lugares, o que faz com que me sinta um fracasso, dependente e penso: Por que não dirijo? Eu tenho que dirigir, eu vou dirigir, mas na hora falta coragem, aparecem todos os sintomas físicos e as mais variadas desculpas: vou falhar, vou dar vexame na rua ou ser criticada ao errar, vou bater em alguém, etc."

"É difícil descrever o meu medo, às vezes acho que vou vencê-lo, mas de repente ele toma conta de mim, as pernas tremem de maneira incontrolável, não consigo sair do lugar, o medo toma conta de mim."

"Começo com calafrios na espinha passando por tremedeiras, suor nas mãos, taquicardia, e muita falta de ar, como se fosse ficar asfixiada".